Apetece-me gritar aos quatro cantos do mundo, ou aos mil, aos milhões, o que for, apenas preciso de gritar, explodir, evaporar cada partícula desta coisa que não tenho sequer nome a dar. Esta coisa que me corrói por dentro, que me desfaz lentamente, que me tira a fome, que me faz querer sucumbir. Já fui feliz e nem sabia...
Se não escrevesse enlouquecia, certamente. Embora nem escreva tanto como queria, umas vezes aqui, outras vezes em folhas soltas que se perdem com o tempo. O que importa é que se escreva. Importa deixar as palavras fluirem, abrir o coração, ir ao fundo do nosso ser e escrever, mesmo que nada faça sentido, e que tudo não passem de divagações sem nexo. Escrever é, sem dúvida, uma porta para o nosso mais profundo "eu". Escrevo aquilo que não digo cara-a-cara, escrevo o que quero desabafar para o nada, mas que tenho de o fazer de alguma forma e assim surgem as palavras, as frases, os textos...E como é bom deitar cá para fora aquilo que nos forra a alma, sentirmo-nos subitamente mais livres e aliviados, numa agradável sensação de liberdade, por simplesmente, ter escrito.

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