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Hang loose

O segredo é apenas este: nunca esperar nada de ninguém. Se não tens expectativas, não te desiludes, nem bates com o nariz no chão, de cada vez que cais. Mas a nossa natureza não é assim, pode resultar em alguns casos, mas há sempre a excepção à regra, há sempre algo em que vais acabar por acreditar cegamente. O ser humano tem necessidade disso. Ninguém pode ser 100% desconfiado, nem 100% ingénuo. Tem que haver um meio termo. Mas esse meio termo é mais que suficiente para dar espaço às desilusões, para que alguém entre de mansinho, derrube as barreiras da tua confiança, e mais uma vez, te faça sentir como a pessoa mais imbecil e patética do mundo. Ficas calejada, cada vez mais, fechas-te em ti e para o mundo e nem te apercebes. Sim, é preciso muito para que alguém tenha a tua confiança, mas muito pouco para a perder.

Isto é liberdade

Se não escrevesse enlouquecia, certamente. Embora nem escreva tanto como queria, umas vezes aqui, outras vezes em folhas soltas que se perdem com o tempo. O que importa é que se escreva. Importa deixar as palavras fluirem, abrir o coração, ir ao fundo do nosso ser e escrever, mesmo que nada faça sentido, e que tudo não passem de divagações sem nexo. Escrever é, sem dúvida, uma porta para o nosso mais profundo "eu". Escrevo aquilo que não digo cara-a-cara, escrevo o que quero desabafar para o nada, mas que tenho de o fazer de alguma forma e assim surgem as palavras, as frases, os textos...E como é bom deitar cá para fora aquilo que nos forra a alma, sentirmo-nos subitamente mais livres e aliviados, numa agradável sensação de liberdade, por simplesmente, ter escrito.

Refúgio

Despindo a alma de preconceitos e pudores, nada podia ser mais claro, claro e límpido como a água. As razões para qualquer que fosse a reacção dela, eram nulas. Tinha passado para lá da insanidade, e sinceramente? Não haviam receios. Não havia qualquer tipo de sentimento, e isso era tranquilizador. Era como se houvesse uma barreira entre os sentimentos e o vazio. Uma parede sem fim no meio. E ela havia pulado para o outro lado. No lado onde não havia nada a temer, onde tudo era desprovido de sentido e onde sentimentos eram banidos. Todo e qualquer tipo de sentimento. Sabia que tinha coração porque sentia o pulsar do sangue pelas artérias do seu corpo. Mas nada mais. Estava sozinha nesse sítio ambíguo, e estava bem assim, sem precisar de justificações, sem nada para a julgarem. Mas por quanto tempo mais conseguirá ficar assim, nesse imaculado estado? A resposta é algo que, por agora, não lhe interessa saber.

Há histórias que se fecham a cadeado

Por vezes invejo aquelas pessoas que fazem da sua vida um livro aberto. Mas só um bocadinho. Não me fazia mal nenhum ter umas quantas páginas soltas. Mas não, as páginas do meu livro estão fechadas e é a cadeado. Por vezes deixo que peguem na chave e o abram, mas apenas por momentos. Os fantasmas do passado vivem, acorrentados nos poros do meu corpo, e eu não faço nada para o evitar. Não tenho controlo em mim, quanto mais controlá-los. Chego a sentir-me uma estranha em mim, a patinar de um lado para o outro, e a derrapar aqui e ali. O medo persegue-me diariamente, por caminhos sinuosos e outros nem tanto, mas ele persegue-me e eu tento sempre esconder-me dele. Estou num buraco só meu, e mais ninguém me vê la. Porquê? Já cantava o Angélico "Ela é...um segredo fundo do mar".

Ama como um cacto

Vem, vamos brincar de amor, que esta vida é demasiado séria para ti. Vamos embalar o mundo como se de um bébé se tratasse, vamos cantar-lhe lindas melodias, fazer-lhe festinhas no rosto e amá-lo, mesmo quando ele nos aflige e não nos deixa dormir de noite. Vamos sorrir e cantar-lhe, mais uma vez. Sempre que pudermos, dar todo o nosso amor, e, quando em troca recebemos o mais sincero e puro sorriso, é como se de repente tudo valesse a pena. Vamos brincar, temos tempo, que a vida deve ser sempre criança, se crianças formos nós. Vamos sorrir, vamos rir, muito, vamos fazer de conta que somos aquilo que já fingimos ser. Olha com esse teu jeito doce de criança, pensa com a pureza e genuinidade de quem não conhece a maldade, age com espontaneidade. Dá-me a mão e juntos vamos saltar, como quem salta de pedra em pedra, para não pisar a água fria do rio, vamos fugir do mal e abraçar o mundo com os braços cheios de vida. Vamos correr com o vento e dançar com a chuva, atravessar o sol e escorre...

Changes

Há dias em que acordo e sinto em mim todos os sonhos do mundo, todas as possibilidades imagináveis e até inimagináveis, uma força e um poder de conseguir alcançar aquilo que sempre desejei e um conforto de que, apesar de nada ser perfeito, é agradável, à sua maneira. Já me sinto feliz por tudo ter mudado tanto, no espaço de alguns meses. Mas não foram as "coisas" que mudaram, toda a mudança está em mim, na força como passei a encarar tudo o que me acontece, bom e mau, numa calma que se instalou, num bem estar como já há muito tempo não o sentia. Cresci, é verdade, deixei de me importar e sofrer tanto com as adversidades que surgem. Há tanta coisa que não vale a pena, talvez sejam mais as que não valem, do que aquilo que vale realmente. E para quê importarmos-nos, gastar as nossas forças e sofrermos com coisas tão supérfluas? Deixei-me disso, deixei de me lamentar a mim própria e de achar que não havia solução em nada. Passei a encarar cada obstáculo como algo perfeitamente...

Realidades controversas

Com o passar do tempo começamos a olhar para tudo com olhos diferentes, dizemos até que se começa a "ver" realmente, tudo preto no branco, e não a vermos eufemismos da realidade, que outrora nos protegiam da realidade dura. Mas hoje esse despertar de realidades acontece muito mais cedo, por influência das inúmeras fontes de informação (às quais poderia empregar variados nomes), vivemos constantemente a ser bombardeados por calamidades que vão acontecendo, por situações que nos chocam e nos fazem pensar, nem que seja por breves instantes. É difícil, para não dizer impossível, vermos as coisas desfocadas e, metaforicamente falando, numa tonalidade cor-de-rosa que muitas vezes associamos à ingenuidade característica da infância. Mas ja a infância hoje se está a deteriorar, com crianças a agirem (às vezes) pior que adultos raivosos, outros a pegar em armas, sem bem saberem para que serve, adolescentes que provocam massacres em grande escala, revoltados com sabe-se lá o que...