Com o passar do tempo começamos a olhar para tudo com olhos diferentes, dizemos até que se começa a "ver" realmente, tudo preto no branco, e não a vermos eufemismos da realidade, que outrora nos protegiam da realidade dura. Mas hoje esse despertar de realidades acontece muito mais cedo, por influência das inúmeras fontes de informação (às quais poderia empregar variados nomes), vivemos constantemente a ser bombardeados por calamidades que vão acontecendo, por situações que nos chocam e nos fazem pensar, nem que seja por breves instantes. É difícil, para não dizer impossível, vermos as coisas desfocadas e, metaforicamente falando, numa tonalidade cor-de-rosa que muitas vezes associamos à ingenuidade característica da infância. Mas ja a infância hoje se está a deteriorar, com crianças a agirem (às vezes) pior que adultos raivosos, outros a pegar em armas, sem bem saberem para que serve, adolescentes que provocam massacres em grande escala, revoltados com sabe-se lá o que. Mas a culpa morre sempre solteira. Que futuro? E não é o tempo que nos vai fazer mudar. Somos nós que mudamos com o tempo.
Era um dia de verão, no ar passava um avião, um de tantos que todos os dias sobrevoavam o céu, o mesmo céu que ela não se fartava de olhar. Quando lhe perguntavam qual a sua cor favorita, dizia, sem pestanejar, "azul turquesa". Era feliz quando nas suas pequeninas mãos tinha a caneta, exatamente com a cor do céu. Não se coibia de a utilizar em todos os seus desenhos, pintando o céu, e um sol, amarelo e radiante. "Lá em cima vão os teus avós" - Diziam-lhe, enquanto concentrava toda a sua atenção naquele avião, que parecia tão pequeno visto de longe, imaginando como seria estar lá dentro, a sobrevoar a terra que ela pisava. Entrava no aeroporto. Era capaz de ficar horas a olhar para a avioneta que, fantasticamente, se encontrava no tecto, suspensa por fios que lhe pareciam tão frágeis. Tinha medo de se colocar debaixo dela, mas era emocionante vê-la, e admirá-la. Subia ao rooftop do aeroporto. Colocavam-na em cima do muro para conseguir ver melhor. Sentia-se ain...

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