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collide

Há muito que ela tinha deixado de acreditar. Tinha-se entregado, rendida ao facto de que nada podia fazer mais para que desse certo. Parte de si tinha morrido naquele momento. A esperança, que mantém vivo o ser-humano, abandonara-a. E ela nada fizera para o evitar. Viu o seu oxigênio fugir-lhe por entre as mãos, evaporar-se em cada poro do seu corpo, enquanto ela assistia, apática e inerte. Metade de si flamejava em sentimentos de culpa. A outra metade estava demasiado destruída para agir racionalmente. Enquanto isso, a sua essência já ia longe no horizonte, desvanecendo-se a cada minuto que passava.
"Dirão, em som, as coisas que, calados, no silêncio dos olhos confessamos?" - José Saramago

What doesn't kill me...

Alguma vez te fizeram sentir pequena, sem valor, interesse, capaz de não fazer coisa alguma? Alguma vez sentiste na pele a repulsa, o afastamento, o sentimento de "ninguém gosta de mim"? Já te sentiste humilhada, julgada sem razão, posta de parte? Já gozaram na tua cara, e à frente de todos? Já ouviste o que não era suposto teres ouvido, e a tua reação foi simplesmente calar e baixar a cabeça? Já chegaste a casa com os olhos quase a transbordar em lágrimas e quando te perguntaram "como foi o teu dia?" apenas baixaste a cabeça e respondeste um trémulo "foi bom", quando na realidade só querias enfiar-te na cama, agarrar-te à almofada, chorar, e esquecer que existias? 

Sejam felizes

Sempre achei demasiado irreal desejar-se um "bom ano novo". Parece que estamos a segmentar a nossa vida em fracções de 12 meses. O que vai mudar afinal? Será que é preciso vir um novo ano no calendário para pudermos dizer que vai mudar alguma coisa? Para podermos desejar que mude? A verdade é que a mudança está em nós, na nossa mente, na nossa vontade de fazer e ser melhor. A nossa vida não se resume a anos bons e maus, resume-se, sim, a uma contínua escalada, num equilíbrio entre escolhas e consequências. E nada vai mudar se os passos forem sempre os mesmos, se não te deres ao luxo, uma única vez, de pensar mais alto. Para mudar nunca é tarde, nunca é cedo, não há lugar nem hora marcada, apenas vontade.  Por isso, o meu desejo é que nunca vos falte ambição, coragem e sobretudo, vontade, para conseguirem sempre levar avante os vossos objectivos. Sejam felizes.

Amor?

Amor? Desculpa mas não, não acredito nisso. Ou melhor, deixei de acreditar. Pois é, já dizia o António Lobo Antunes que "quando um coração se fecha para o mundo, faz mais barulho que uma porta"

Frágil

Sei lá, secalhar o problema é mesmo meu. Secalhar sou eu que faço sempre a coisa errada, e não há meio de acertar. Secalhar tenho escrito na testa "Sim, brinca comigo à vontade". É que de tanto seres jogada ao ar, um dia cais e aí estilhaças-te de vez. E ás vezes, não há conserto que valha...

Daily basis

Depois há sempre aquelas coisas que... mesmo que não queiras, mexem contigo. Vem sempre aquele "e tu estás bem?" inerente a determinado assunto, em que tu respondes um tão acostumado "oh, estou bem", e na realidade ficas a morrer por dentro, como se estivesses a ser dilacerada brutalmente. Na realidade estou mesmo naquela fase em que finjo um "não me importo", "o que lá vai, lá vai", "estou bem...", só para não ter que explicar que por dentro morro um bocadinho, todos os dias.