Há muito que ela tinha deixado de acreditar. Tinha-se entregado, rendida ao facto de que nada podia fazer mais para que desse certo. Parte de si tinha morrido naquele momento. A esperança, que mantém vivo o ser-humano, abandonara-a. E ela nada fizera para o evitar. Viu o seu oxigênio fugir-lhe por entre as mãos, evaporar-se em cada poro do seu corpo, enquanto ela assistia, apática e inerte. Metade de si flamejava em sentimentos de culpa. A outra metade estava demasiado destruída para agir racionalmente. Enquanto isso, a sua essência já ia longe no horizonte, desvanecendo-se a cada minuto que passava.
Era um dia de verão, no ar passava um avião, um de tantos que todos os dias sobrevoavam o céu, o mesmo céu que ela não se fartava de olhar. Quando lhe perguntavam qual a sua cor favorita, dizia, sem pestanejar, "azul turquesa". Era feliz quando nas suas pequeninas mãos tinha a caneta, exatamente com a cor do céu. Não se coibia de a utilizar em todos os seus desenhos, pintando o céu, e um sol, amarelo e radiante. "Lá em cima vão os teus avós" - Diziam-lhe, enquanto concentrava toda a sua atenção naquele avião, que parecia tão pequeno visto de longe, imaginando como seria estar lá dentro, a sobrevoar a terra que ela pisava. Entrava no aeroporto. Era capaz de ficar horas a olhar para a avioneta que, fantasticamente, se encontrava no tecto, suspensa por fios que lhe pareciam tão frágeis. Tinha medo de se colocar debaixo dela, mas era emocionante vê-la, e admirá-la. Subia ao rooftop do aeroporto. Colocavam-na em cima do muro para conseguir ver melhor. Sentia-se ain...

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