Depois há sempre aquelas coisas que... mesmo que não queiras, mexem contigo. Vem sempre aquele "e tu estás bem?" inerente a determinado assunto, em que tu respondes um tão acostumado "oh, estou bem", e na realidade ficas a morrer por dentro, como se estivesses a ser dilacerada brutalmente. Na realidade estou mesmo naquela fase em que finjo um "não me importo", "o que lá vai, lá vai", "estou bem...", só para não ter que explicar que por dentro morro um bocadinho, todos os dias.
Era um dia de verão, no ar passava um avião, um de tantos que todos os dias sobrevoavam o céu, o mesmo céu que ela não se fartava de olhar. Quando lhe perguntavam qual a sua cor favorita, dizia, sem pestanejar, "azul turquesa". Era feliz quando nas suas pequeninas mãos tinha a caneta, exatamente com a cor do céu. Não se coibia de a utilizar em todos os seus desenhos, pintando o céu, e um sol, amarelo e radiante. "Lá em cima vão os teus avós" - Diziam-lhe, enquanto concentrava toda a sua atenção naquele avião, que parecia tão pequeno visto de longe, imaginando como seria estar lá dentro, a sobrevoar a terra que ela pisava. Entrava no aeroporto. Era capaz de ficar horas a olhar para a avioneta que, fantasticamente, se encontrava no tecto, suspensa por fios que lhe pareciam tão frágeis. Tinha medo de se colocar debaixo dela, mas era emocionante vê-la, e admirá-la. Subia ao rooftop do aeroporto. Colocavam-na em cima do muro para conseguir ver melhor. Sentia-se ain...
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