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Mensagens

Outros tempos

Diz-se que antigamente o amor era para sempre. Talvez, sim. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, e muda-se...o amor. E cada um de nós, lá no fundo, sabe a falta que ele faz. E todos reclamam dele. E todos o culpam. Mas ninguém o cultiva, ninguém o respeita, porque em algum momento das nossas vidas, houve alguém que conseguiu arruiná-lo. E vamos-nos, assim, desapegando, criando a fina camada de gelo à volta. São outros tempos, mas agora está a faltar amor, pior...falta quem acredite nele.

Consciência limpa

Não importa o que faças, alguém irá sempre julgar-te. Não importa o que digas, alguém irá sempre interpretar mal. Não importa o que pensas, há sempre alguém que não irá entender. Não importa como te vistas, há sempre alguém a torcer o nariz. Não importa onde estejas, haverá sempre alguém incomodado com a tua presença. Não importa se ris, há sempre alguém que irá pensar que ris dele. Não importa com quem te dás e os sítios onde vais, alguém irá sempre apontar-te por isso. Não importa se não te metes na vida de ninguém, alguém irá sempre meter-se na tua. Não importa espalhares a tua felicidade, a inveja anda por aí. Por isso, faz, diz, pensa, sai, ri, diverte-te, sonha, e no fim do dia, conta apenas uma consciência limpa sobre a almofada.

Hope

Eu no fundo nunca tinha desistido. Enquanto a razão me fazia quase acreditar que não valia mais a pena, no meu coração sempre houve um resto de esperança. Porque afinal de contas, sempre ouvi dizer que nunca se deve desistir daquilo que nos faz feliz.

E tu, és feliz?

E se num dia destes surgir a derradeira pergunta: "És feliz?", eu não irei saber responder. Gostava que fosse uma resposta fácil, como acontece com aquelas figuras públicas que são entrevistadas, e quando por norma, no fim da entrevista, surge essa mesma pergunta, elas respondem com toda a convicção, vestidas do seu melhor sorriso, e com um enorme brilho nos olhos: "sim, sou."

collide

Há muito que ela tinha deixado de acreditar. Tinha-se entregado, rendida ao facto de que nada podia fazer mais para que desse certo. Parte de si tinha morrido naquele momento. A esperança, que mantém vivo o ser-humano, abandonara-a. E ela nada fizera para o evitar. Viu o seu oxigênio fugir-lhe por entre as mãos, evaporar-se em cada poro do seu corpo, enquanto ela assistia, apática e inerte. Metade de si flamejava em sentimentos de culpa. A outra metade estava demasiado destruída para agir racionalmente. Enquanto isso, a sua essência já ia longe no horizonte, desvanecendo-se a cada minuto que passava.
"Dirão, em som, as coisas que, calados, no silêncio dos olhos confessamos?" - José Saramago

What doesn't kill me...

Alguma vez te fizeram sentir pequena, sem valor, interesse, capaz de não fazer coisa alguma? Alguma vez sentiste na pele a repulsa, o afastamento, o sentimento de "ninguém gosta de mim"? Já te sentiste humilhada, julgada sem razão, posta de parte? Já gozaram na tua cara, e à frente de todos? Já ouviste o que não era suposto teres ouvido, e a tua reação foi simplesmente calar e baixar a cabeça? Já chegaste a casa com os olhos quase a transbordar em lágrimas e quando te perguntaram "como foi o teu dia?" apenas baixaste a cabeça e respondeste um trémulo "foi bom", quando na realidade só querias enfiar-te na cama, agarrar-te à almofada, chorar, e esquecer que existias?