Avançar para o conteúdo principal

"I don't belong here"

Vivi sempre numa bolha que me mantinha afastada do exterior. Uma bolha à prova de todas as maldades e atrocidades que pairavam na humanidade. Não conhecia a realidade exterior, não conhecia o cheiro da falsidade e hipocrisia. Os ninhos, contendo o veneno, estavam bem alto, em árvores das quais não conseguia sequer ver o topo. Não compreendia aquilo que não conseguia ver. Chegava até a  ignorar a sua existência. Desconhecia a existência de armadilhas, de campos minados que esperavam, sedentos, um pé em falso, um carrasco. E eu, fui essa presa fácil. A presa ingénua, como um coelho que é atraído para a toca do lobo. Não consegui escapar a tempo, não tinha a destreza nem a sabedoria de um mundo para o qual não estava preparada. Por ali fiquei, enjaulada, com um molhe de chaves, de todas as cores e tamanhos. Não ousava tocar-lhes. Uma linha muito ténue separava-nos, eu do lado de dentro, e o resto lá fora. Preferia ficar ali, acocorada numa cega segurança de que ali, nada me poderia fazer mal. Restava-me apenas uma mão cheia de nada e outra de coisa alguma.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sometimes, the worst place you can be is in your own head

Estou de volta por aqui. Nunca abandonei totalmente este meu cantinho, mas com o passar dos anos veio o desleixo. As redes sociais e o meu trabalho nelas, fizeram com que me dissociasse das palavras e até dos livros. A realidade é que me tenho sentido vazia. Aquele sentimento de que nada faz sentido, o desprazer pelo trabalho, pelas tarefas do dia-a-dia, hobbies, pela vida, até. Apesar de pouco ou nada falar disto, sempre tive tendência para a depressão, a juntar à ansiedade que foi agravando nos últimos anos. O silêncio e o isolamento sempre foram a forma que usei para "lidar" com a situação. Nunca pedi ajuda, sempre achei que era tudo sinal de fraqueza e com ela vinha a vergonha de falar com quem quer que fosse sobre como me sentia. Até porque a dificuldade em explicar por palavras é sempre gigante. Se por acaso me perguntarem porque estou triste, apenas consigo responder "não sei, é por tudo". Sinto que não me consigo fazer entender, e isso deixa-me ainda pior. A...

"Quem é de verdade, sabe quem é de mentira"

Vou conhecendo muita gente que não vale a pena. É como se as pessoas estivessem cada vez menos interessantes, cada vez mais banais e superficiais. Mas secalhar sempre foi assim, e talvez seja só eu que andei iludida e a achar que ainda havia pessoas de tirar o chapéu. E há, de facto. Mas escasseiam cada vez mais. Era bom ter um filtro que só deixasse entrar na minha vida pessoas assim. Ou então, ter a capacidade de ler as mentes, ler previamente aquele cantinho escondido, que nos mostra o verdadeiro calibre de alguém. Isso poupava-me uns quantos abanões. Mas no entanto, tirava toda a magia do que é conhecer alguém. Aquele momento em que vamos levantando a ponta do véu, ou vendo-o, simplesmente, a cair lentamente. Gosto de conhecer pessoas diferentes, e quando digo diferentes, é mesmo diferentes, e completamente opostas a mim. Acaba por me permitir aprender sempre alguma coisa, por mais que algumas contem para a estatística do "não vale a pena". Gosto de esmiuçar sempre o l...

Amor e uma espada

No amor não se exige. No amor não se cobra nada, aliás, dá-se, mesmo sem esperar nada em troca. Talvez por isso te tenha entregue o meu coração em mãos, depois de estar certa que o merecias. Compreendes o tamanho da confiança depositada em ti? Foi como dar-te a minha vida e dizer para cuidares bem dela. O meu erro começa aí. Ou secalhar não...talvez comece mesmo no início, no "amor". Alguém me disse uma vez: "o amor fode tudo". E fode, bem fodido. Quando damos conta já nos deixámos apanhar, e aí já não há nada a fazer. E quando queremos dizer ao coração para se acalmar? Não dá, entregaste-o, lembras-te? Já só sentes um aperto e um vazio enorme se a outra pessoa não sabe cuidar dele. Já não depende só de ti, e infelizmente. Porque se em batalhas vencesse a razão, eu saía vitoriosa. Mas assim, saio apaixonada. Ah, e fodida.