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Retratos de uma vida


São tantas as vezes em que me perco nos meus próprios pensamentos, perco-me de tal maneira que acabo por tropeçar em memórias que estavam há já tanto tempo arrumadas a um canto, cobertas de pó e de saudade. Não resisto a pegar novamente nelas, sacudir o tal pó e deixar que as recordações surjam na tela da minha imaginação. Instalo-me confortavelmente, e é com um breve sorriso no rosto que assisto com toda a calma e concentração do mundo para não deixar escapar nada, nem o mais pequeno pormenor. Assim, começa o filme da minha vida, e de repente, sinto-me novamente com 6 anos. Consigo ouvir o som de gargalhadas, tão puras e genuínas, a alegria tão característica e a alma leve, como uma pena, liberta de preocupações e alheia a tudo o que a rodeia. Sinto-me feliz por acordar e poder fazer o que mais amo, brincar, brincar, brincar...brincar, sozinha, não me interessa, pois depressa arranjo uma amiga feita de ar, mas que não me contraria e brinca comigo exactamente da maneira que quero. Ah, é tão bom. Faço birra se quero algo e não me dão, faço birra porque não quero comer outra vez peixe cozido com batatas. É tão inocente. Acima de tudo faço-o com a ingenuidade dos meus 6 anos, e nisto tudo surge um desejo enorme de saltar para a tela e voltar a vestir a minha pele de menina, doce e genuína.

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