Avançar para o conteúdo principal

Refúgio

Despindo a alma de preconceitos e pudores, nada podia ser mais claro, claro e límpido como a água. As razões para qualquer que fosse a reacção dela, eram nulas. Tinha passado para lá da insanidade, e sinceramente? Não haviam receios. Não havia qualquer tipo de sentimento, e isso era tranquilizador. Era como se houvesse uma barreira entre os sentimentos e o vazio. Uma parede sem fim no meio. E ela havia pulado para o outro lado. No lado onde não havia nada a temer, onde tudo era desprovido de sentido e onde sentimentos eram banidos. Todo e qualquer tipo de sentimento. Sabia que tinha coração porque sentia o pulsar do sangue pelas artérias do seu corpo. Mas nada mais. Estava sozinha nesse sítio ambíguo, e estava bem assim, sem precisar de justificações, sem nada para a julgarem. Mas por quanto tempo mais conseguirá ficar assim, nesse imaculado estado? A resposta é algo que, por agora, não lhe interessa saber.

Comentários

  1. e está bem bonito :) beijinhos * Sofia

    segue :p
    http://stylist-aa.blogspot.com

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

As tuas palavras também contam

Mensagens populares deste blogue

Sonhos de gente grande

Era um dia de verão, no ar passava um avião, um de tantos que todos os dias sobrevoavam o céu, o mesmo céu que ela não se fartava de olhar. Quando lhe perguntavam qual a sua cor favorita, dizia, sem pestanejar, "azul turquesa". Era feliz quando nas suas pequeninas mãos tinha a caneta, exatamente com a cor do céu. Não se coibia de a utilizar em todos os seus desenhos, pintando o céu, e um sol, amarelo e radiante. "Lá em cima vão os teus avós" - Diziam-lhe, enquanto concentrava toda a sua atenção naquele avião, que parecia tão pequeno visto de longe, imaginando como seria estar lá dentro, a sobrevoar a terra que ela pisava. Entrava no aeroporto. Era capaz de ficar horas a olhar para a avioneta que, fantasticamente, se encontrava no tecto, suspensa por fios que lhe pareciam tão frágeis. Tinha medo de se colocar debaixo dela, mas era emocionante vê-la, e admirá-la. Subia ao rooftop do aeroporto. Colocavam-na em cima do muro para conseguir ver melhor. Sentia-se ain...

Sometimes, the worst place you can be is in your own head

Estou de volta por aqui. Nunca abandonei totalmente este meu cantinho, mas com o passar dos anos veio o desleixo. As redes sociais e o meu trabalho nelas, fizeram com que me dissociasse das palavras e até dos livros. A realidade é que me tenho sentido vazia. Aquele sentimento de que nada faz sentido, o desprazer pelo trabalho, pelas tarefas do dia-a-dia, hobbies, pela vida, até. Apesar de pouco ou nada falar disto, sempre tive tendência para a depressão, a juntar à ansiedade que foi agravando nos últimos anos. O silêncio e o isolamento sempre foram a forma que usei para "lidar" com a situação. Nunca pedi ajuda, sempre achei que era tudo sinal de fraqueza e com ela vinha a vergonha de falar com quem quer que fosse sobre como me sentia. Até porque a dificuldade em explicar por palavras é sempre gigante. Se por acaso me perguntarem porque estou triste, apenas consigo responder "não sei, é por tudo". Sinto que não me consigo fazer entender, e isso deixa-me ainda pior. A...

Millenials

Somos a geração da mega drive, da Sega Saturno, do game boy do tamanho de um tijolo, de jogar ao berlinde e fazer covinhas no chão, de jogar ao peão, de brincar com o iô-iô e de ter um arco Hulla Hop, de acordar aos Sábados de manhã para ver o "buérere" com a Ana Malhoa, ver os power rangers ao Domingo, e no resto da semana ocupar as tardes com o Batatoon. A geração que teve um tamagotchi e que o deixou morrer vezes sem conta. A geração que teve um furby, um tapete com estradas, carros telecomandados com fios, a geração que comprava cassetes de música e ouvia-as no seu walkman com auscultadores. A geração que comprava CDS e que ouvia no discman, e que em todas as visitas de estudo se fazia acompanhar do pack com 145479 CD's. A geração que usava disquetes para guardar tudo o que podia, mas em que uma disquete só dava pra guardar cinco fotos. A geração que jogava solitário e pinball 3D no Windows 97, e fazia desenhos no paint para se entreter. A geração que os jogos que ...