E ali ficámos os dois, lado a lado, ambos fechados nos nossos pensamentos. Eu a pensar em ti, como se estivesses do outro lado do globo. E tu a pensar..bem, isso não sei. Secalhar eu não te entendo, nem tu mesmo. Secalhar tu também não me entendes, é difícil, eu sei. Falo pouco, por medo. O passado também me persegue e o medo acaba por me consumir, por vezes. Chego a ter medo de perder algo que nem sequer me pertence. O medo do desconhecido é enorme, talvez por isso tenha receio sempre que olho para ti. Sei da história, sei do passado, e chegam a faltar-me as forças para te fazer confiar em mim. Pior, falta-me a coragem para não te largar mais.
Era um dia de verão, no ar passava um avião, um de tantos que todos os dias sobrevoavam o céu, o mesmo céu que ela não se fartava de olhar. Quando lhe perguntavam qual a sua cor favorita, dizia, sem pestanejar, "azul turquesa". Era feliz quando nas suas pequeninas mãos tinha a caneta, exatamente com a cor do céu. Não se coibia de a utilizar em todos os seus desenhos, pintando o céu, e um sol, amarelo e radiante. "Lá em cima vão os teus avós" - Diziam-lhe, enquanto concentrava toda a sua atenção naquele avião, que parecia tão pequeno visto de longe, imaginando como seria estar lá dentro, a sobrevoar a terra que ela pisava. Entrava no aeroporto. Era capaz de ficar horas a olhar para a avioneta que, fantasticamente, se encontrava no tecto, suspensa por fios que lhe pareciam tão frágeis. Tinha medo de se colocar debaixo dela, mas era emocionante vê-la, e admirá-la. Subia ao rooftop do aeroporto. Colocavam-na em cima do muro para conseguir ver melhor. Sentia-se ain...

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