Um dia talvez acordes, e se por azar não for uma Quinta-feira, ou talvez um Sábado, vais achar que a tua vida não faz muito sentido. Vais ficar a fazer ronha na cama o maior tempo possível, e depois segues a tua vida quotidiana sem grande euforia. Secalhar, em algum momento do teu dia, te lembres dela, e talvez, por momentos, consigas sentir novamente o sabor dos seus lábios, os arrepios e, quem sabe, cheguem as saudades. O arrependimento. Nesse momento sacodes os pensamentos e mais uma vez segues no teu acostumado "quero lá saber". "Quero lá saber"... Foi sempre isso que te ocorreu dizer, consigo ouvi-lo, repetidamente e a ecoar demasiado alto na minha cabeça. Demasiadas vezes. Se tu não queres saber, eu também não deveria querer. Mas mesmo que não quisesse, saberia-o sempre. Não queremos, mas vemos. Não planeamos, mas acontecemos. E tu sempre soubeste a falta que ela te fazia, mas mesmo assim, refugiaste-te sempre em orgulho, e cobardia. Se ridículos são aqueles que têm medo de cair no ridículo, que nome tens tu? Ridículo. Foste sempre pouco com medo de ser inteiro, perdeste muitas das oportunidades que ela sempre te deu para mudares o que tinhas acabado de dizer, para a abraçares quando ela mais precisava, para não a deixares ir, quando ela ia, a suplicar para que lhe pedisses para ficar. Mas tudo te escapou entre as mãos. E tu, amarrado a essa cobardia, sem um único esforço para mudar. Desfazendo-se sempre em desculpas, sem uma única vez saber admitir "eu errei". Sempre preferiste a facilidade, o comodismo, uma vida de "deixa andar", com muitas noites de boémia à mistura, enquanto ela, em casa, confiava quase cegamente em ti, o que fizeste tu? Deitaste tudo a perder. Simples. Porque enquanto ela te abria o seu coração, e se entregava, com tudo o que tinha e não tinha, e tentava sempre equilibrar o barco onde os dois estavam, tu, impávido e sereno, ignoravas. Um dia talvez acordes, e ela não esteja mais lá. E tu, vais querer saber? Porque aí, ela já não vai.
Era um dia de verão, no ar passava um avião, um de tantos que todos os dias sobrevoavam o céu, o mesmo céu que ela não se fartava de olhar. Quando lhe perguntavam qual a sua cor favorita, dizia, sem pestanejar, "azul turquesa". Era feliz quando nas suas pequeninas mãos tinha a caneta, exatamente com a cor do céu. Não se coibia de a utilizar em todos os seus desenhos, pintando o céu, e um sol, amarelo e radiante. "Lá em cima vão os teus avós" - Diziam-lhe, enquanto concentrava toda a sua atenção naquele avião, que parecia tão pequeno visto de longe, imaginando como seria estar lá dentro, a sobrevoar a terra que ela pisava. Entrava no aeroporto. Era capaz de ficar horas a olhar para a avioneta que, fantasticamente, se encontrava no tecto, suspensa por fios que lhe pareciam tão frágeis. Tinha medo de se colocar debaixo dela, mas era emocionante vê-la, e admirá-la. Subia ao rooftop do aeroporto. Colocavam-na em cima do muro para conseguir ver melhor. Sentia-se ain...

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