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Insane

O relógio já marca a meia-noite, há muito tempo que não me lembrava o que era sair tão "cedo". O trabalho acabou, mas depressa se instalou o vazio. O ponteiro dos segundos, outrora imperceptível, ecoa agora pesadamente nas têmporas, para me lembrar que afinal até tenho uma vida. Merda. Era suposto ter uma vida, mas parece que me esqueci de como era viver a minha. Mais um dia em que falei com dezenas de pessoas, em que fiz o meu melhor sorriso, em que me superei e, para além de cumprir os meus objetivos, tornei o dia de alguém um pouco melhor. Objetivo cumprido. E agora o ponteiro continua, já me esquecia de como o tempo voa, e da dor que já há algum tempo se instalou no meu peito. Lembrei-me. Não sou boa companhia para mim própria e sei-o. Pensar demais pode enlouquecer, e eu que o diga. É lixado quando alguém consegue influenciar tanto a tua vida e determinar se estás bem ou mal. "Caíste-me do céu" e deste-me abrigo, e agora? Não é justo alguém entrar assim nas nossas vidas, fazer-nos sentir a pessoa mais importante do mundo, e depois de tudo, o desapego, a rejeição? Estúpida. Não passo mesmo de uma estúpida por ainda permitir que alguém me destrua assim. E tu, conseguiste colar os destroços da última vez que isso aconteceu. E fizeste-o com uma facilidade e destreza que nem sequelas deixou. E agora? Já há muito tempo que deixei de ser vício, para sentir que não passo de sacrifício. Não sou recomendável. Estou a desmoronar outra vez e em bocadinhos ainda menores.

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