Funciono tipo marioneta. Levanto-me à mesma hora, despacho-me, pego no carro e vou à minha vida. Sorrio, aceno e dou os bons dias a quem partilha comigo o mesmo espaço de trabalho. Sorrio como se um invisível fio estivesse ligado aos meus músculos faciais. Os olhos esses, continuam fundos e vazios. Baços e sem expressão. O inverno veio mais cedo, a tempestade instalou-se, a chuva cai incessante. É inferno, aqui. Quando é que me vens buscar?
Era um dia de verão, no ar passava um avião, um de tantos que todos os dias sobrevoavam o céu, o mesmo céu que ela não se fartava de olhar. Quando lhe perguntavam qual a sua cor favorita, dizia, sem pestanejar, "azul turquesa". Era feliz quando nas suas pequeninas mãos tinha a caneta, exatamente com a cor do céu. Não se coibia de a utilizar em todos os seus desenhos, pintando o céu, e um sol, amarelo e radiante. "Lá em cima vão os teus avós" - Diziam-lhe, enquanto concentrava toda a sua atenção naquele avião, que parecia tão pequeno visto de longe, imaginando como seria estar lá dentro, a sobrevoar a terra que ela pisava. Entrava no aeroporto. Era capaz de ficar horas a olhar para a avioneta que, fantasticamente, se encontrava no tecto, suspensa por fios que lhe pareciam tão frágeis. Tinha medo de se colocar debaixo dela, mas era emocionante vê-la, e admirá-la. Subia ao rooftop do aeroporto. Colocavam-na em cima do muro para conseguir ver melhor. Sentia-se ain...

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