Estamos todos doentes e a medicamo-nos com a própria destruição. Estamos doentes e não queremos ver que aquilo que mais nos mata, é o que pensamos ser o que nos mantém vivos. Vivemos doentes e amarrados a uma falsa saúde que nos remete a uma constante epifania. Não nos apercebemos do oásis ao qual estamos confinados, da rotina que nos cerceou. Estamos doentes de mudança, doentes de um sistema que nos manteve sempre cercados por muros altos, impedindo-nos ver para além deles. Nunca ousamos questionar. Aceitamos. Vivêmo-lo. Não somos vítimas, somos cúmplices.
Era um dia de verão, no ar passava um avião, um de tantos que todos os dias sobrevoavam o céu, o mesmo céu que ela não se fartava de olhar. Quando lhe perguntavam qual a sua cor favorita, dizia, sem pestanejar, "azul turquesa". Era feliz quando nas suas pequeninas mãos tinha a caneta, exatamente com a cor do céu. Não se coibia de a utilizar em todos os seus desenhos, pintando o céu, e um sol, amarelo e radiante. "Lá em cima vão os teus avós" - Diziam-lhe, enquanto concentrava toda a sua atenção naquele avião, que parecia tão pequeno visto de longe, imaginando como seria estar lá dentro, a sobrevoar a terra que ela pisava. Entrava no aeroporto. Era capaz de ficar horas a olhar para a avioneta que, fantasticamente, se encontrava no tecto, suspensa por fios que lhe pareciam tão frágeis. Tinha medo de se colocar debaixo dela, mas era emocionante vê-la, e admirá-la. Subia ao rooftop do aeroporto. Colocavam-na em cima do muro para conseguir ver melhor. Sentia-se ain...

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