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Mensagens

There's no fairways

Um dia cresces, olhas para trás e fazes uma retrospectiva do que já passou. Pensas em determinados momentos, acções, e muito frequentemente vem a expressão "onde é que eu tinha a cabeça...". Vais abandonando receios, vais moldando a tua personalidade e aprendes a dançar ao som da melodia. Crias armaduras, seguras o escudo e vais para a guerra. A ampulheta não pára, a vida passa, e quando te apercebes, já se passaram quase duas décadas. Se há uns tempos querias crescer e atingir a maioridade, agora que lá estás é tudo tão estranho. Sentes que a vida é efémera, tomas consciência de onde estás, tentas tomar consciência do que és e do que poderás vir a ser. Na realidade, és ainda um pequeno grão de areia, no grande deserto que é a vida. Não viveste ainda o tempo suficiente para a vida te dar grandes lições, apenas alguns avisos, fruto de pequenos erros do passado, e pequenas conquistas de algo que te orgulhes muito. Tudo é tão relativo quando o assunto toca à tua existência. T...

"Dói-me a coragem que não tenho"

Levaste-me para o abismo, amarrada por uma corda, e lá me deixaste. Todos os dias ias ver-me. Afinal de contas, dizem que o criminoso volta sempre ao local do crime, e tu confirmas isso melhor que ninguém. Querias ver-me sofrer. Eras capaz de esperar sentado até que eu decidisse atirar-me, só para não ter de olhar para a tua cara e ouvir a tua voz, que me causava náuseas. Cada dia me massacravas mais um bocadinho, cada dia tentavas levar-me (ainda) mais ao extremo, e o pior, é que o conseguias. Parabéns. Podes subir ao palco e agradecer. Não sei o porquê, nem tão pouco quero saber, eu já só desejo sucumbir aos meus sentidos, para não ter de ouvir, para não ter de ver (...)  Acabei por me atirar do abismo, estou em queda livre, e tu a assistir a tudo no teu camarote vip, batendo palmas e acenando a cara de um lado para o outro "és uma inútil" - pensas, em voz alta. É difícil levantar-mo-nos, quando o peso do mundo se abate sobre nós. Quando a vontade não é mais uma ...

"I don't belong here"

Vivi sempre numa bolha que me mantinha afastada do exterior. Uma bolha à prova de todas as maldades e atrocidades que pairavam na humanidade. Não conhecia a realidade exterior, não conhecia o cheiro da falsidade e hipocrisia. Os ninhos, contendo o veneno, estavam bem alto, em árvores das quais não conseguia sequer ver o topo. Não compreendia aquilo que não conseguia ver. Chegava até a  ignorar a sua existência. Desconhecia a existência de armadilhas, de campos minados que esperavam, sedentos, um pé em falso, um carrasco. E eu, fui essa presa fácil. A presa ingénua, como um coelho que é atraído para a toca do lobo. Não consegui escapar a tempo, não tinha a destreza nem a sabedoria de um mundo para o qual não estava preparada. Por ali fiquei, enjaulada, com um molhe de chaves, de todas as cores e tamanhos. Não ousava tocar-lhes. Uma linha muito ténue separava-nos, eu do lado de dentro, e o resto lá fora. Preferia ficar ali, acocorada numa cega segurança de que ali, nada me poderia...