Ela amava-o. Ele amava-a. Os dois em silêncio. Ela sem saber do amor dele, e ele sem saber do dela, mas ambos sentiam o coração a saltar descompassadamente, de cada vez que estavam ao pé um do outro. Ninguém notava o brilho nos olhos, mas ela olhava-o e, quando já tinha virado a cara, pensando que era impossível ele gostar dela, era a vez dele olhar, um olhar envergonhado e o pensamento de que ela nunca ia olhar para ele da mesma forma. Eles amavam-se, mas não tinham coragem de dizer o que sentiam um ao outro. Por medo da rejeição, por medo de sofrerem. Eles perderam, assim, a oportunidade de serem felizes. Eles amaram-se.
Era um dia de verão, no ar passava um avião, um de tantos que todos os dias sobrevoavam o céu, o mesmo céu que ela não se fartava de olhar. Quando lhe perguntavam qual a sua cor favorita, dizia, sem pestanejar, "azul turquesa". Era feliz quando nas suas pequeninas mãos tinha a caneta, exatamente com a cor do céu. Não se coibia de a utilizar em todos os seus desenhos, pintando o céu, e um sol, amarelo e radiante. "Lá em cima vão os teus avós" - Diziam-lhe, enquanto concentrava toda a sua atenção naquele avião, que parecia tão pequeno visto de longe, imaginando como seria estar lá dentro, a sobrevoar a terra que ela pisava. Entrava no aeroporto. Era capaz de ficar horas a olhar para a avioneta que, fantasticamente, se encontrava no tecto, suspensa por fios que lhe pareciam tão frágeis. Tinha medo de se colocar debaixo dela, mas era emocionante vê-la, e admirá-la. Subia ao rooftop do aeroporto. Colocavam-na em cima do muro para conseguir ver melhor. Sentia-se ain...
Adoro :)
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