"Não te esqueças de mim" - disse, com um sorriso nos lábios. Não sabia quando seria o re-encontro, mas lá no fundo, ela sabia que podia ser a última vez. Não queria aproximar-se desse pensamento, que tanto a atemorizava, mas sendo uma rapariga com os pés assentes no chão, não podia deixar de ter essa ideia constantemente a passear pela sua mente. Sem se aperceber, e sem querer dar a mão à palmatória, ele tinha-a desarmado. Estava na sua mão, sem que ela o pudesse evitar. Foi acontecendo. E ela deixava - que remédio - assistindo a tudo do lado de fora. Dizem que o amor é permitir que a outra pessoa nos possa destruir por completo, mas confiar que isso não vai acontecer. O problema é que também nos deixa completamente vulneráveis. A nossa armadura cai e ficamos na mão de quem nos tem. Isso aconteceu, mas tu não estavas nem aí porque sempre foste de teimas. E se der para o torto? "Não faz mal, eu resolvo sozinha". E assim foi.
Se não escrevesse enlouquecia, certamente. Embora nem escreva tanto como queria, umas vezes aqui, outras vezes em folhas soltas que se perdem com o tempo. O que importa é que se escreva. Importa deixar as palavras fluirem, abrir o coração, ir ao fundo do nosso ser e escrever, mesmo que nada faça sentido, e que tudo não passem de divagações sem nexo. Escrever é, sem dúvida, uma porta para o nosso mais profundo "eu". Escrevo aquilo que não digo cara-a-cara, escrevo o que quero desabafar para o nada, mas que tenho de o fazer de alguma forma e assim surgem as palavras, as frases, os textos...E como é bom deitar cá para fora aquilo que nos forra a alma, sentirmo-nos subitamente mais livres e aliviados, numa agradável sensação de liberdade, por simplesmente, ter escrito.

Amei :))
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