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Mensagens

Partindo rumo à Primavera

Há vezes em que dou por mim a vaguear por aí, a imaginar situações e a pintar a vida como eu gostaria que ela fosse. Nesses momentos sinto-me capaz de a transformar naquilo que idealizei e ter aquilo que desejei. Sinto uma enorme vontade de ocupar a cabeça e o coração, e voar, livre de preocupações. Mas no meio disso tudo, desejo ainda mais, que o vento me leve até ti, que segures a minha mão com firmeza e não a soltes mais. Um caminho é sempre mais curto quando é feito em conjunto, disso tenho a certeza. E eu quero caminhá-lo contigo.

Retratos de uma vida

São tantas as vezes em que me perco nos meus próprios pensamentos, perco-me de tal maneira que acabo por tropeçar em memórias que estavam há já tanto tempo arrumadas a um canto, cobertas de pó e de saudade. Não resisto a pegar novamente nelas, sacudir o tal pó e deixar que as recordações surjam na tela da minha imaginação. Instalo-me confortavelmente, e é com um breve sorriso no rosto que assisto com toda a calma e concentração do mundo para não deixar escapar nada, nem o mais pequeno pormenor. Assim, começa o filme da minha vida, e de repente, sinto-me novamente com 6 anos. Consigo ouvir o som de gargalhadas, tão puras e genuínas, a alegria tão característica e a alma leve, como uma pena, liberta de preocupações e alheia a tudo o que a rodeia. Sinto-me feliz por acordar e poder fazer o que mais amo, brincar, brincar, brincar...brincar, sozinha, não me interessa, pois depressa arranjo uma amiga feita de ar, mas que não me contraria e brinca comigo exactamente da maneira que quero. Ah...

"A cidade está deserta..."

Sabes quando te encontras tão apagada que tudo à tua volta é negro, escuro e triste? Quando te encontras tão desamparada e sem rumo, que por mais que te digam que o caminho "é por ali" tu continuas parada sem saber para onde avançar? É horrível a sensação de impotência face à nossa própria existência. Os porquês aumentam, e o pior é que nenhuma resposta surge. Apenas interrogações, que te atropelam com a força de um camião desgovernado. Enquanto isso só te consegues ver a afundar, pouco a pouco, como se assistisses à própria derrota pelos olhos de outro alguém. Mas sabes que perder a batalha não significa perder a guerra. Ou será ao contrário? Não interessa. A vida corre lentamente, pensas tu. Flutuando em ziguezague, na incerteza do caminho que há de tomar. E assim é a tua vida, dia após dia, virando as páginas, numa pressa incessante de a algum lado chegar, deambulando entre o sabor agridoce daquela que é a vida.

Sobre estar só

A noite chegou para, mais uma vez, me embalar com a sua sobriedade e nostalgia. É com a chegada dela e com o toque da brisa, que as primeiras lágrimas teimam em escorrer pela face. Percorro lentamente pelas memórias e emoções, vasculhando a fundo cada bocadinho do meu ser, tentando absorver tudo o que conseguir. Mas nunca chega... Acabo sempre por me sentir tão pequenina no meio de tamanha grandeza. "para onde vou? de onde vim? alguém me diga, por favor, o que faço aqui?", tantas perguntas e nenhuma resposta consigo encontrar. Fazendo-me acompanhar de mim própria, penso e repenso, será demais? Abafo um grito no escuro desta noite, tento não pensar em mais nada, não me quero auto-massacrar mais. Mas acabo sempre por fazê-lo e isso só me faz pior. Acabo por cair sempre no mesmo buraco, pois a noite cega-me. Acabo sempre por fazer asneira e martirizo-me por isso, sentindo-me uma imbecil. É no frio da noite que choro para que ninguém me oiça, para ninguém ver toda a fragilidad...

Hopeless state

Tenho saudades. Uma saudade tão grande de fazer doer cá dentro, chegando a sufocar-me. Tenho saudades de tudo e nada ao mesmo tempo. Ou talvez do passado, o que não me agrada. Não estou bem, de todo, nem sei quando o estarei. Vou estando. Vou aguentando cenas lamentáveis a toda a hora, vou vendo tudo a passar-me ao lado, vou fazendo asneiras, porque afinal de contas não estou bem e tenho saudades. Boa teoria esta.

There's no fairways

Um dia cresces, olhas para trás e fazes uma retrospectiva do que já passou. Pensas em determinados momentos, acções, e muito frequentemente vem a expressão "onde é que eu tinha a cabeça...". Vais abandonando receios, vais moldando a tua personalidade e aprendes a dançar ao som da melodia. Crias armaduras, seguras o escudo e vais para a guerra. A ampulheta não pára, a vida passa, e quando te apercebes, já se passaram quase duas décadas. Se há uns tempos querias crescer e atingir a maioridade, agora que lá estás é tudo tão estranho. Sentes que a vida é efémera, tomas consciência de onde estás, tentas tomar consciência do que és e do que poderás vir a ser. Na realidade, és ainda um pequeno grão de areia, no grande deserto que é a vida. Não viveste ainda o tempo suficiente para a vida te dar grandes lições, apenas alguns avisos, fruto de pequenos erros do passado, e pequenas conquistas de algo que te orgulhes muito. Tudo é tão relativo quando o assunto toca à tua existência. T...

"Dói-me a coragem que não tenho"

Levaste-me para o abismo, amarrada por uma corda, e lá me deixaste. Todos os dias ias ver-me. Afinal de contas, dizem que o criminoso volta sempre ao local do crime, e tu confirmas isso melhor que ninguém. Querias ver-me sofrer. Eras capaz de esperar sentado até que eu decidisse atirar-me, só para não ter de olhar para a tua cara e ouvir a tua voz, que me causava náuseas. Cada dia me massacravas mais um bocadinho, cada dia tentavas levar-me (ainda) mais ao extremo, e o pior, é que o conseguias. Parabéns. Podes subir ao palco e agradecer. Não sei o porquê, nem tão pouco quero saber, eu já só desejo sucumbir aos meus sentidos, para não ter de ouvir, para não ter de ver (...)  Acabei por me atirar do abismo, estou em queda livre, e tu a assistir a tudo no teu camarote vip, batendo palmas e acenando a cara de um lado para o outro "és uma inútil" - pensas, em voz alta. É difícil levantar-mo-nos, quando o peso do mundo se abate sobre nós. Quando a vontade não é mais uma ...