Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Mundos e fundos

Acordou e nada estava bem. Os dias solarengos e cheios de vida já iam bem longe no horizonte, agora tudo o que conseguia avistar eram nuvens, carregando o peso de um mundo. Uma enorme sensação de nostalgia invadiu-a de imediato. Apercebendo-se do quão eram bons os ingénuos tempos de criança, em que via o fim do mundo todos os dias, mas na manhã seguinte, estava tudo bem. Agora, as coisas não se passavam bem assim. A noite não conseguia mais carregar o peso dos seus medos. Seja destino ou outro tipo de utopia marada, os dias passavam e um resto dela passava com eles, desvanecendo-se, tão impercetivelmente que só conseguia ver a diferença quando, ao olhar para trás, reparava que nada mais restava a não ser a marca das memórias, arrastadas para longe, deixando caixas vazias pelo caminho, e sonhos, que um dia apenas precisaram de alguém que acreditasse neles. E esse alguém não estava lá para os manter. Eles correram, líquidos como a chuva, por entre as fissuras, preenchen...

What goes around...

Procurei-te. Sim, é verdade. Na altura em que o teu silêncio feria mais que ferro quente no meu peito, e matava-me, lentamente. Procurei o teu nome, o teu cheiro, a tua camisa, procurei todos os vestígios de ti. Tinhas o cuidado de deixar sempre um rasto por onde passavas. Típico teu e de meninos como tu, que colecionam jarras de corações. Aparecias em todo o lado, e eu procurava-te sem te encontrar, mesmo que estivesses à minha frente. Chegava a sentir repulsa por pisar o mesmo chão que tu, por saber que pousavas o teu olhar em mim, mas mesmo assim, preferias ficar no teu tão acostumado silêncio, sentindo-te importante e galando a pêga mais próxima e fácil que encontrasses. Estúpida, eu, por pensar que poderia ser diferente. Foi ao tomar realmente consciência da pessoa que eras, que um enorme alívio me invadiu. Afinal de contas, podia esquecer-te tão facilmente como um estalar de dedos, sem qualquer tipo de remorso, apenas com a certeza de que pessoas como tu não me merecem qualquer t...

(Im)previsível

Como seria se a nossa vida fosse como nos filmes? Se no final, tivesses a certeza de que tudo ia acabar bem? Sinceramente acho que não teria tanta piada assim. É como contarem-te uma anedota e tu já saberes como vai acabar. Acabas por não te rir, pois a mesma coisa não tem duas vezes o mesmo impacto. Da mesma forma é a nossa vida. Nunca sabes o que vem, o que encontrar ao virar da esquina. Podes até cair no minuto a seguir, ou encontrar o grande amor da tua vida. É bom sair à descoberta, desbravar caminho, ir numa aventura e, acima de tudo, viver com espontaneidade. E medo do desconhecido? Se não te chegares à frente, nunca o perderás. 

Bullshit

Há muito tempo que não a faziam apaixonar. Ou talvez o problema fosse todo dela. Demorava cada vez mais a apaixonar-se. Mas isso não era mau, isso não a afligia. Não procurava o amor, o que tivesse de ser, seria. Ás vezes isso é bom. Não forçar, não procurar, insinuar-se e a seguir, desaparecer. Mas ainda assim, continuava sozinha. Sabem o que é, ter alguém também sabe bem.

Cheers

"E eu finalmente deixei de ter pena de mim por estar sem ti, e passei a ter pena de ti, por estares sem mim" CHEERS

E tu, acreditas?

- Acreditas no destino? - Ela olha-o admirada, mas logo se forma um breve sorriso no seu rosto. - Não sei...tu acreditas?  - Acredito, e acho sinceramente que foi o destino que nos juntou.  - O que é, para ti, o destino?  - Para mim, o destino é a forma natural que as vidas tomam. É como optares por algo, por um caminho, ao invés de outro qualquer, sobretudo porque tinha que ser assim, porque algo te fez mudar, e esse algo era o destino. É como se as coisas tivessem, simplesmente, de se desenrolar de determinada forma, como se já nascêssemos com um rumo traçado. - Ela olha para o vazio assimilando tudo o que acabara de ouvir. Pensava em tudo, se o destino existia mesmo, ou se não passava de mera utopia criada pelos humanos. - Achas que o que quer que seja que nos tenha juntado, também nos pode separar? - Diz, por fim, um pouco a medo. - Claro que não! O destino sabe que te amo demais para te tirar de mim. Ambos sorriem.

Qual a razão no meio disso tudo?

O coração tenta dizer-me algo, mas a razão, por sua vez, fala e fala bastante alto. No meio disto tudo estou eu. Perdida, e a deambular entre ambos. Eu e esta minha mania de ser sempre assertiva e ter uma razão para tudo. Pois é, quando há amor, essa é a razão para tudo. Então, quando a razão não encontra amor, qual é a razão no meio disso tudo?