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Mensagens

Instantes que compõem nada

A fatídica página em branco. Aquela que eu tanto temia, arrumada a um canto por tempo incerto. Aterrorizava-me todos os dias da minha vida, os mesmos dias em que ao acordar lá estava ela, sempre no mesmo canto: inerte, incólume, e branca. Depressa desviava o olhar, numa mediocre tentativa de a ignorar e fingir que não existia. Afinal é isso que todos fazemos diariamente: fechar os olhos a uma realidade que, cobardemente, queremos ignorar. E ela por lá ia permanecendo, dia após dia, alheia à corrida incessante do relógio que urge impiedosamente. A página em branco que tu tanto teimas em guardar, naquela última gaveta, debaixo de inúmeras folhas de rascunho antigas e obsoletas que "um dia podem fazer falta". E a página em branco por lá vai ficando, na gaveta, no canto, na almofada que já desgastada carrega todo o peso de uma vida que não poupou o conformismo. A página, envolta em sonhos, desejos, futuros idealizados, porém, imaculada, desprovida de qualquer tentativa de uso,...

Damn

Não sei onde está a complicação, serei eu, será o meu coração, ou talvez seja apenas puro desaforo da minha cabeça. Gostava de me entender, mas infelizmente nunca fui boa em charadas e quebra-cabeças. Vôo por aí à procura de um porto seguro, porque de tanto me tentar encontrar, acabo por me perder. O tudo não me chega e o pouco é muito. Nesta imensidão de paradoxos, nem sei como ainda me mantenho lúcida. Dizem que quem espera sempre alcança, e eu lá vou acreditando nisso, também porque nesta altura do campeonato, as hipóteses de escolha já escasseiam, e a paciência sempre andou de mãos dadas comigo. E mesmo que tentar de novo seja sinónimo de sofrer de novo, eu não me importo, porque é assim a vida, cair sete vezes e levantar oito.

Millenials

Somos a geração da mega drive, da Sega Saturno, do game boy do tamanho de um tijolo, de jogar ao berlinde e fazer covinhas no chão, de jogar ao peão, de brincar com o iô-iô e de ter um arco Hulla Hop, de acordar aos Sábados de manhã para ver o "buérere" com a Ana Malhoa, ver os power rangers ao Domingo, e no resto da semana ocupar as tardes com o Batatoon. A geração que teve um tamagotchi e que o deixou morrer vezes sem conta. A geração que teve um furby, um tapete com estradas, carros telecomandados com fios, a geração que comprava cassetes de música e ouvia-as no seu walkman com auscultadores. A geração que comprava CDS e que ouvia no discman, e que em todas as visitas de estudo se fazia acompanhar do pack com 145479 CD's. A geração que usava disquetes para guardar tudo o que podia, mas em que uma disquete só dava pra guardar cinco fotos. A geração que jogava solitário e pinball 3D no Windows 97, e fazia desenhos no paint para se entreter. A geração que os jogos que ...

Scratching myself

Apetece-me gritar aos quatro cantos do mundo, ou aos mil, aos milhões, o que for, apenas preciso de gritar, explodir, evaporar cada partícula desta coisa que não tenho sequer nome a dar. Esta coisa que me corrói por dentro, que me desfaz lentamente, que me tira a fome, que me faz querer sucumbir. Já fui feliz e nem sabia...

Nobody else above you

De repente é como se andasses em bicos de pés num chão cheio de vidros. É como se jogasses à roleta russa com a arma carregada. Tens receio de dar o passo seguinte para não ires ao ar. Mas também não podes ficar parada. Fodasse, merda, não podíamos simplesmente esquecer isto tudo? É que nem sabes a falta que me fazes. Preciso de mim, mas preciso ainda mais de ti.

Can you come back?

Funciono tipo marioneta. Levanto-me à mesma hora, despacho-me, pego no carro e vou à minha vida. Sorrio, aceno e dou os bons dias a quem partilha comigo o mesmo espaço de trabalho. Sorrio como se um invisível fio estivesse ligado aos meus músculos faciais. Os olhos esses, continuam fundos e vazios. Baços e sem expressão. O inverno veio mais cedo, a tempestade instalou-se, a chuva cai incessante. É inferno, aqui. Quando é que me vens buscar?

"So sick of this lonely air"

Hoje pensei que te tinha visto. Num corredor, no elevador, sentado no café... Hoje estavas em todo o lado, e o meu coração quase que me saltava pela boca quando eu pensava que te tinha visto. Mas era impossível, nunca poderias ser tu, apenas na minha cabeça é que todos são tu, mas tu não és nenhum deles. E é como se me dessem um murro no estômago, ao aperceber-me que agora só existes pintado na minha imaginação.. Agora, quem vou chatear? Diz-me, por favor. Com quem vou partilhar a minha vida? Ou melhor, com quem vou viver a vida?